sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Resenha crítica do filme: Obrigado por Fumar

Obrigado por Fumar é um convite a ironia e ao sarcasmo. Diferente do que pode parecer à primeira vista, o filme não retrata os malefícios do cigarro e sim, a cultura de manipulação de informações, o poder da palavra, da argumentação. A comédia dramática dirigida por Jason Reitman faz uma crítica divertida aos lobistas norte-americanos e as políticas internas e de imagem corporativa das grandes empresas de tabaco, álcool e armas.
Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o centro da ação e narrador do filme. Trabalha para a Academia de Estudos do Tabaco, onde sua missão é persuadir a mídia e a população construindo discursos convincentes para defender o ponto de vista que lhe interessa. “Se argumentar corretamente, nunca estará errado”, é o discurso chave do filme.
Em programas de entrevista e debates na TV, o protagonista defende o livre arbítrio. Frente aos danos causados pelo uso do cigarro, dito por ele ainda não comprovados, argumenta de forma carismática e habilidosa que cada indivíduo tem o poder de escolha e sabe de si, portanto, quem quiser fumar, que fume, você será sempre o grande responsável.
Divorciado, pai de Joel (Cameron Bright), Naylor passa a trama preocupando-se com a educação moral do filho e esforça-se para ser sempre um bom exemplo. O protagonista é, também, desafiado pelos vigilantes de saúde e, principalmente, pelo senador oportunista Ortolan K. Finistirre (William H. Macy) que o enfrenta em debates em rede nacional. Além disso, Nick conta com a ajuda de Jeff Megall (Rob Lowe) para promover os cigarros em filmes, o que alude também, críticas a Hollywood.
A reviravolta da trama acontece quando a fama do lobista atrai a atenção da jornalista atiradinha Heather Holloway (Katie Holmes) que, seduzindo-o, consegue informações confidenciais e tenta arruinar sua vida ao publicar uma reportagem sobre seu modo de conduzir e pensar o seu trabalho. O que acaba tornando público também, a existência do “esquadrão da morte”, formado por Nick e dois amigos cúmplices lobistas, Polly (Maria Bello) que defende as indústrias de bebidas alcoólicas e Bobby (David Koechner) as indústrias fabricantes de armas.
Com toques de documentário, a mensagem é óbvia e direta. Uma crítica social, que de forma inteligente utiliza um tema que não é novidade e informações que já não são mais bombásticas. Obrigado por Fumar é cínico e despretensioso e, em nenhum momento, coloca em cena o uso do cigarro, fato que torna o filme ainda mais curioso, pois esse fator não se faz necessário no desenrolar da história.
Inovador, criativo e com um ótimo elenco, seu charme é não dar espaço ao “politicamente correto”. O suficiente para flutuar entre não ser levado a sério e induzir reflexões. Um filme que diverte fumantes e não fumantes.
(Stéfanie Telles)

3 comentários:

Iana Carolina disse...

Muito bom.

Victor disse...

finalmente uma resenha plausível sobre este filme! Parabens.

Omar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.